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DOODLE: o filho esquecido da Kohske

Não lembro exatamente como comecei a ler Doodle, mas tenho quase certeza que foi mais um daqueles casos onde a arte me chamou a atenção. Enfim, comecei a ler e me animei por ainda estar no capítulo três, pois poderia acompanhar o mangá praticamente desde o lançamento. Mas não foi bem isso o que aconteceu...

Mas antes de me lamuriar, vamos voltar do começo. Doodle começou a ser publicado no final de 2013, trimestralmente na revista Go Go Bunch, um periódico não tão popular focado em seinen. A revista acabou se tornando mais conhecida por essas bandas por ser a mesma a serializar Gangsta, que também é da mesma autora de Doodle. Apesar de ser trimestral, a série nunca foi fixa na revista, tendo lançamentos bem espaçados até culminar em um hiatus que vem desde 2014.

Com o traço claro, limpo e impactante da Kohske, somos apresentados aos irmãos Corsa e Katie, que vivem em um vilarejo perto do mar, junto com outras crianças. É comum, nesse país, que as pessoas possam transformar desenhos em seres reais, assim, se você desenha um dinossauro em uma parede, ele se tornará real, mesmo que o design seja parecido com o seu traço e não com um dinossauro de verdade.

O mundo que ela cria parece um local que mistura na mesma medida fantasia inocente, com o conceito de dar vida as ilustrações com um lugar esquecido e empobrecido, onde as pessoas se amontoam em pequenos vilarejos e vivem de forma simples, sem tecnologia muito desenvolvida ou luxo. A maneira como os figurantes reagem a existência de Katie é encarado como um tabu religioso, mostrando que a autora pretende mesclar vários conceitos em sua obra.

Logo de cara, vemos um grupo de garotos perseguindo Katie por ela ser um Sin, uma criança de cabelos claros e olhos vermelhos que precisa se alimentar de carne humana. Essa alimentação diferenciada faz com que sua pele produza os tipos mais variados de giz de cera que são usados para confeccionar as ilustrações. Cada cor dá uma habilidade diferente ao desenho, como maior resistência, embora isso tenha sido pouco explanado até o momento.

Sabe-se que cada cidade tem seu próprio Sin, e que é comum os lugares entrarem em conflito para tentar roubar o Sin do vizinho, e isso faz com que Katie esteja sempre em perigo. Apesar dessa situação, Katie é bastante indefesa, o que faz com que Logan, um garoto que também mora com os irmãos, acabe por salvá-la. Não fica muito claro, mas Logan, assim como Corsa e as outras crianças que convivem com eles, tem a função de manter Katie segura. Depois de salvar a menina, Logan e Katie voltam para casa e encontram com Corsa e Natalia, uma jornalista que avisa aos garotos que um grande golem de desenho vem destruindo a região.

Ela mal termina de explanar sobre isso e o golem surge, destruindo tudo pela frente. Não fica claro porque o golem está ali, mas ele parece interessado em destruir (ou sequestrar) os irmãos Corsa e Katie. Várias pessoas na cidade se unem para derrotar o desenho, muito da cidade é destruída, muitos personagens de apoio a dupla principal morrem de forma violenta. Kohske não é uma autora de muito suave, então as lutas são bastante sangrentas, com muitos membros decepados e entranhas rolando. Curiosamente, as cenas de violência dão um efeito bem bonito, pois o quadros da autora são grandes e limpos.
Katie e seus desenhos.
Os personagens, a princípio, parecem os típicos de shounen, Katie é a garota poderosa e inocente, Corsa, é o herói que mesmo com medo ou pouco poder, entra na ação para defender a irmã. Logan é o garoto poderoso e sombrio, que não dá para saber realmente o que ele está pensando, Miguel, tio dos irmãos, é o tiozão conselheiro que chega para salvar o dia... Apesar disso, suspeito que os personagens se tornem muito mais cinzentos do que aparentam, isso fica um pouco evidente em um flashback misterioso e nas ações de Logan.

Eu ainda não li Gangsta para saber se esquema de construção entre as duas histórias é parecido, mas o traço do Doodle é mais do meu agrado por ser mais limpo e ‘infantil’. A primeira vista, o mangá tem um enorme potencial e personagens que despertam o interesse e empatia, mesmo que basicamente não saibamos nada sobre eles, já que dos três capítulos, dois foram basicamente só ação.

Até onde sei, o mangá continua em hiatus no Japão. Lembro que Gangsta também teve alguns atrasos na publicação e tido vários problemas na sua transposição para o anime, incluindo falência do estúdio. A autora também ficou bem doente, devido a uma doença crônica e tudo indica que seu estado não tem a melhorar tão breve. Por conta disso, ela deve ter se focado em Gangsta e deixado o mangá um pouco de lado.

É uma pena, pois o título tinha tudo para ter um desenvolvimento interessante, cheio de mistérios e reviravoltas, com batalhas bem emocionantes e criativas.
Em japonês: Um monstro branco fez três promessas as crianças "Se tornarem monstros, matarem um ao outro e depois morrerem juntos."

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