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Conheça a si mesmo em Smell Like Green Spirit

Antigamente, quando comecei a me interessar mais por animes e mangás, eu não era fã de yaoi. Não tinha nada contra, mas também não achava muito divertido. Meu problema maior era com os estereótipos que algumas coisas que eu tinha lido até então traziam.

Seme e uke bem definidos, o uke quase sempre parecia uma garota histérica, porque em geral, é sempre ele quem dificulta o enlace amoroso. Além disso, muitas obras trazem personagens que são muito femininos, seja pelo visual, pelo comportamento ou pelas situações que os autores os colocam.

Foi apenas com No. 6 que meu “preconceito” com o gênero se dissipou. Os dois personagens são bem resolvidos e mesmo que Nezumi trabalhe como atriz, ele não perde a masculinidade. Além disso, havia toda uma trama maior do que o romance dos personagens e eu finalmente tive uma nova ótica do gênero e passei a aceitar de forma melhor.
Mishima e Kirino

Claro que vez ou outra, eu ainda acabo esbarrando no yaoi clichê, mas sou muito mais compreensiva com o gênero e nessa de ser compreensiva e dar uma chance além da primeira impressão conheci Smell Like Green Spirits.

O mangá foi escrito por Nagai Saburou e lançado na Comic Be entre 2011 e 2013, sendo finalizado com dois volumes. A trama gira em torno de Mishima, um garoto extremamente feminino que vive sofrendo bullying dos colegas de escola.

A primeira vista parece um yaoi bobo sobre um garoto que sofre bulliyng e vai acabar se apaixonando por um dos seus agressores, mas apesar de realmente caminhar para isso, a autora decide explorar algo mais importante, a aceitação de si mesmo.

Mishima não só gosta de outros garotos, como tem muito comportamento feminino. Em casa, ele usa maquiagem da mãe, e é diferente do que se espera, ele não se envergonha disso. Sua mãe, embora parece não ter total conhecimentos dos gostos do filho, é sempre carinhosa e o incentiva a ser quem deseja.

Só que se a mãe está de acordo, o resto da sociedade da pequena cidade onde se desenrola a trama não. Os vizinhos olham torto, os colegas o maltratam e um dos professores o assedia, tornando a situação muito mais ampla do que uma simples escolha pessoal.

Com o desenrolar da trama Mishima faz amizade com Kirino, um garoto do grupo de bulliyng, que na verdade, também é gay e gosta de maquiagem, mas tentava desesperadamente se enturmar com medo ser isolado. Apesar do laço que se forma entre eles, Kirino ainda tem que lidar com os amigos que não vem com bons olhos sua aproximação com Mishima.
Mishima e Yumeno

A trama é bem lenta e discute várias coisas como sociedade, família, amigos e aceitação de si próprio. Há algumas cenas bem cativantes como quando Mishima empresta um baton para Kirino e quando Kirino passa a suspeitar que Yumeno, o líder do grupinho do bulliyng é apaixonado por Mishima e por isso vive para importuná-lo.

Mas nem tudo são flores e algumas coisas realmente me desagradaram no mangá. Primeiro foi o traço, é extremamente bonito e limpo, mas deixa Mishima muito afeminado. Algumas páginas eu simplesmente me esquecia que ele era um menino e por mais que eu entenda que esse é o desejo do personagem, a autora carregou muito a mão. E o segundo, e fator mais importante de me deixar com os dois pés atrás com o mangá, foi o professor.

O cara é nojento, bizarro e torpe. Em vez de servir de apoio para Mishima, como parece em sua primeira aparição do mangá, o cara não perde tempo de se esfregar no garoto. Todas as cenas tem uma mão ligeira ali, pegando em alguma parte do menino, sem justificativa e Mishima por tudo o que sofre, nunca reage.

No capítulo sete, tem uma cena em que o professor decide castigar Mishima e eu realmente desgostei da cena. Não é nada muito impressionante, mas achei um tanto estapafúrdia seu encaixe no andamento da coisa.

A obra em si é interessante, mas parece que a autora erra a mão ao tentar causar impacto. A cena do bulliyng quando os garotos cortam o cabelo do Mishima, é desconfortável, mas é bem cabível dentro do que está sendo contado, mas algumas outras parecem que estão ali só para chocar mesmo.

Para quem gosta de yaoi, apesar que na verdade é um shounen-ai, que não é focado em romance e pegação, centrado mais em uma viagem para conhecer a si mesmo pode gostar bastante.

Até onde li? Capítulo 7

Pretendo continuar lendo?
Provavelmente, apesar de ressaltar alguns pontos negativos na trama.

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